rex Hotel

FACULDADE DE MEDICINA DO RECIFE

Denominações: Faculdade de Medicina do Recife (1920); Faculdades de Medicina, Farmácia e Odontologia do Recife (1927); Faculdade de Medicina da Universidade do Recife (1946); Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (1965)

Um pouco de história

HISTÓRICO

Desde o século XVII, durante o período da ocupação holandesa, a então capitania de Pernambuco tornou-se o espaço onde se realizaram os primeiros trabalhos de pesquisa científica no Brasil, de autoria dos naturalistas holandeses Guilherme Piso e George Marcgraf, considerados "pais da nossa medicina, iniciadores da literatura médica e fundadores da história natural brasileira" (ROCHA, 1960, p. 14). No entanto, a preocupação efetiva com o ensino médico em Pernambuco surgiu dois séculos mais tarde, concretizando-se apenas a partir do início do século XX. Em contrapartida, desde 1808 já haviam sido criadas a Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro e a Escola de Cirurgia da Bahia. Portanto, uma das primeiras iniciativas voltadas para o ensino médico em Pernambuco data do ano de 1817, por ocasião da Revolução Pernambucana, conspiração contra a Coroa portuguesa, influenciada pelos princípios liberais divulgados a partir da Revolução Francesa. Nesta época, foi criado o Hospital Militar em Recife para socorrer as vítimas dos conflitos. Um dos seus fundadores, o médico José Eustáquio Gomes, tendo estudado na Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro e na Universidade de Edimburgo (Escócia), criou naquele estabelecimento uma Escola de Cirurgia Prática, na qual eram ministradas noções de cirurgia através da prática no Hospital Militar, durante 18 ou 19 meses. Em 1819, o Governador e Capitão-general Luiz do Rego Barreto encaminhou ofício ao Ministro do Reino Tomás Antônio de Vilanova Portugal, solicitando recursos para a ampliação do curso de cirurgia para três anos, incluindo a subsistência de José Eustáquio Gomes, que ficaria responsável pelo ensino nos 1° e 3° anos, e do Físico-mor José Joaquim de Carvalho, responsável pelo ensino do 2° ano. Nesse ofício, Rego Barreto argumentava que a falta de instrução pública precisava ser solucionada, tendo em vista que nas capitanias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte não havia médicos nem cirurgiões suficientes para atender a população, e a vinda de profissionais da Corte seria limitada e onerosa. Mesmo sem obter o apoio do Reino, a Escola de Cirurgia Prática funcionou até 1828, formando alguns práticos que prestaram exame perante uma comissão médica, nomeada pela Câmara. Em 1840, pela lei provincial nº 75 de 6 de maio, foi criada uma cadeira de arte obstétrica, privativa de mulheres e subordinada à diretoria do Liceu, tendo suas aulas ministradas no Hospital do Paraíso por Simplício Antônio Mavigner. Com o falecimento desse último em 1856, o curso de obstetrícia acabou também por ser extinto (ROCHA, 1960). Com a República, através de sua primeira Constituição (1891), ficou estabelecido o regime federativo, pelo qual o ensino superior no país deixou de ser privativo da União, tornando-se permitido aos Estados organizar os seus sistemas escolares completos. Neste contexto, a partir do início do século XX, vários cursos de ensino na área médica de nível superior, principalmente de farmácia e de odontologia, começaram a surgir nas capitais ou mesmo em cidades importantes dos principais Estados do país. A escassez de recursos para implantação de cursos de medicina explica, em parte, a escolha por esses cursos menores e, por isso, menos dispendiosos, para mais tarde serem criados os de medicina a eles vinculados. Nesse quadro, em 14 de junho de 1895 foi apresentado à Câmara dos Deputados um projeto de autoria do Governador do Estado de Pernambuco, Alexandre José Barbosa Lima, que propunha a criação de uma faculdade de medicina na capital pernambucana. Embora tenha sido aprovado na Câmara, o projeto acabou sendo rejeitado pelo Senado (ROCHA, 1960, KELNER, 1985). A iniciativa seguinte de implantação do ensino na área médica deu-se a partir da criação da Escola de Farmácia de Pernambuco, em 1902, inaugurada no ano seguinte. Esta foi adiante, embora seu funcionamento tenha sido interrompido por alguns anos.

No I Congresso Médico de Pernambuco, realizado em Recife, durante o mês de abril de 1909, novamente foi apresentada proposta de criação de uma escola livre de medicina pelo farmacêutico Durval de Brito. Ele não conseguiu a adesão dos demais participantes do Congresso, que alegaram insuficiência de recursos, citando como exemplo a Escola de Farmácia de Pernambuco, que permanecia fechada desde 1905. Em contrapartida, neste mesmo Congresso foram aprovadas as propostas de restabelecimento, pela Santa Casa da Misericórdia do Recife, da Escola de Enfermeiros mantida no Hospital Pedro II; e de remodelação do curso de obstetrícia, que vinha sendo ministrado de forma precária pelo diretor daquele mesmo hospital, Inácio Alcebíades Velloso. A nova Escola das Parteiras passou a ter um curso de três anos e o obstetra professor José Bandeira de Mello Filho encabeçou uma campanha para conseguir recursos para a construção de uma maternidade na cidade, objetivo que só foi alcançado em 1931, com a inauguração da Maternidade do Derby, contígua às novas instalações da Faculdade de Medicina do Recife. Em 1910, se teve notícia de que a Escola de Enfermeiros começou a receber alunos de ambos sexos, tendo como fins: "(...) criar um extenso e habilitado corpo de enfermeiros, com suficientes conhecimentos para proceder a curativos de pequena responsabilidade, nos doentes que lhe eram confiados, proporcionar-lhes, com acerto, os medicamentos receitados pelos facultativos e, conhecendo também noções elementares de higiene, úteis, sem dúvida, para quem ia ser um colaborador da primeira ordem do médico ao qual estivesse confiado um doente qualquer" (FREITAS, 1944, p. 27).

Da antiguidade aos dias atuais

Criação da Faculdade de Medicina do Recife

Em 1914, a idéia de criação da Faculdade de Medicina do Recife partiu de um grupo de profissionais da área médica que atuavam no Estado ou mesmo lecionavam nas instituições de ensino já criadas na capital pernambucana – Escola de Farmácia de Pernambuco e Escola de Odontologia de Pernambuco. Nesta época estava em vigor a Lei Orgânica do Ensino Superior e do Fundamental, conhecida como Reforma Rivadavia Corrêa. Aprovada pelos decretos nº 8.659 e nº 8.661 ambos de 05/04/1911, essa reforma concedia autonomia didática e administrativa às faculdades, desencadeando um processo de desoficialização do ensino. Neste momento, já haviam sido criadas faculdades de medicina nos principais Estados do país – Faculdade de Medicina e Farmácia de Porto Alegre (1898), Faculdade de Medicina de Belo Horizonte (1910), Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (1912) e Curso de Medicina e Cirurgia da Universidade do Paraná (1912). Em reunião da Congregação da Escola de Farmácia de Pernambuco no dia 5 de outubro de 1914, foi apresentada a proposta de formação de comissões para a elaboração dos estatutos e para angariar donativos, com fins de organizar a futura Faculdade de Medicina do Recife. Nesta ocasião, foi votada uma diretoria provisória composta por José Octávio de Freitas (diretor), Alfredo Cordeiro da Fonseca Medeiros (tesoureiro) e Thomé Isidoro Dias da Silva (secretário), tendo sido marcada a primeira reunião da Congregação da instituição para 5 de abril do ano seguinte. No dia 6 de dezembro de 1914 seus estatutos foram apresentados. Eles estabeleciam que o primeiro provimento de cadeiras seria feito por nomeação da Congregação da Escola de Farmácia de Pernambuco. A instituição ficaria constituída por 28 lentes catedráticos, seis lentes substitutos, 13 preparadores, 13 assistentes, um diretor, um vice-diretor, um secretário, dois amanuenses, um porteiro, quatro contínuos, um bibliotecário, um sub-bibliotecário, dois serventes e um almoxarife; além de membros honorários que lhe prestassem serviços de relevância, e de um corpo discente. A seleção dos alunos candidatos ao curso seria realizada por um corpo complementar de professores efetivos de reconhecido saber, nomeados pela própria Congregação, sem interferência do governo. O exame de admissão incluiria as disciplinas de português, francês, inglês ou alemão, latim, aritmética, álgebra, geometria, trigonometria, história universal e corografia do Brasil, geografia, psicologia, física, química e história natural. No entanto, estas medidas não chegaram a ser postas em execução neste ano, já que a instituição só entrou em funcionamento a partir de julho de 1920. No dia 4 de maio de 1920 foi realizada a segunda Congregação preparatória da Faculdade de Medicina do Recife, na qual foi aprovada a ata da sessão anterior de 5 de abril de 1915, decidindo-se pela reforma do corpo docente de acordo com a distribuição, classificação e nomenclatura estabelecidas pela nova legislação do ensino aprovada pelo decreto n.º 11.530 de 18/03/1915 (Reforma Maximiliano). As disciplinas ficaram assim distribuídas: Física médica (Oscar Coutinho); química médica (Antônio Raposo Pinto); história natural médica (Alfredo Cordeiro da Fonseca Medeiros); anatomia descritiva (Luiz Gonzaga de Souza Góes); histologia (Antônio Monteiro de Moraes Nascimento); fisiologia (Gilberto Fraga Rocha); microbiologia (José Octávio de Freitas); terapêutica clínica e experimental e arte de formular (Alexandre dos Santos Selva Júnior); patologia geral (Mário de Oliveira Ramos); farmacologia (João Baptista Regueira Costa); anatomia médico-cirúrgica e operações, e higiene (Joaquim Costa Carvalho); medicina legal (Ascânio de Alcântara dos Guimarães Peixoto); clínica médica - 1ª cadeira (João Paulino Marques); clínica médica - 2ª cadeira (João Gomes de Amorim); clínica médica - 3ª cadeira (Edgar Altino Correia de Araújo); clínica médica - 4ª cadeira (Fernando Simões Barbosa); clínica cirúrgica - 1ª cadeira (Alfredo Arnóbio Marques); clínica cirúrgica - 2ª cadeira (Frederico Curio); clínica cirúrgica - 3ª cadeira (Paulo de Aguiar); clínica obstétrica (José Bandeira de Mello Filho); clínica ginecológica (Thomé Isidoro Dias da Silva); clínica oftalmológica (Isaac Salazar da Veiga Pessoa); clínica otorrinolaringológica (Artur de Sá Cavalcanti de Albuquerque); clínica pediátrica médica e higiene infantil (Augusto Lins e Silva); clínica pediátrica cirúrgica e ortopédica (José Ignácio Ávila); clínica dermatológica e sifilográfica (Francisco Clementino Carneiro da Cunha); clínica psiquiátrica (Ulisses Pernambucano de Melo Sobrinho); e clínica neurológica (Manoel Gouveia de Barros). Foram ainda nomeados como professores substitutos das seções de ginecologia e cirurgia, Arsênio Luiz Tavares da Silva e José de Arruda Souto Maior, respectivamente. Além desta distribuição das disciplinas, formaram-se duas comissões integradas por professores das instituições de ensino médico existentes: uma para entrar em entendimento com o Governador do Estado, José Bezerra, sendo formada pelos professores Manoel Gouveia de Barros, Edgar Altino Correia de Araújo, Frederico Curio e José Octávio de Freitas; e outra para modificar os estatutos e o regimento interno, editados em 1915, constituída por Mário de Oliveira Ramos, Ulisses Pernambucano de Melo Sobrinho, Gilberto Fraga Rocha, Thomé Isidoro Dias da Silva, Ascânio de Alcântara dos Guimarães Peixoto e Arsênio Luiz Tavares da Silva.

A inauguração oficial da Faculdade de Medicina ocorreu no dia 16 de julho de 1920, quando foi proferida a aula inaugural pelo professor e diretor da instituição, José Octávio de Freitas. No seu discurso, Freitas enfatizou os objetivos da instituição e a situação financeira do profissional médico no país: "(...) a Faculdade de Medicina do Recife não teve nem terá por principal escopo formar a granel e em correrias, médicos, farmacêuticos, cirurgiões-dentistas e parteiras. O que ela pretende, sobretudo, é ensinar teórica e praticamente a medicina e suas ciências e artes correlatas, procurando elevar cada vez mais o nível moral e intelectual dos nossos profissionais (...) A profissão médica foi, é e será sempre um sacerdócio e, por conseguinte, deve revestir-se, sem cessar, de uma incomparável soma de abnegação e de desprendimento (...) Os lucros oriundos da vossa profissão proporcionar-vos-ão tão somente o conforto e o bem estar encontrados comumente nas demais profissões liberais – advogados, engenheiros civis, agrônomos, mecânicos, funcionários públicos (...) Nada mais e nada menos que isto" (Apud KELNER, 1985, p.32). A maioria dos 15 primeiros alunos selecionados pelos exames vestibulares eram já formados pelas escolas de farmácia, odontologia ou direito de Recife. Inicialmente, a instituição ficou instalada na Escola Manuel Borba, na rua Barão de São Borja. Em 1925, ainda sob a gestão de José Octávio de Freitas, a Faculdade ganhou do Governo do Estado, ocupado por Sérgio Teixeira Lins de Barros Loreto, um terreno no bairro do Derby para a construção de sua sede própria. A planta do prédio foi de autoria do arquiteto Giacomo Palumbo, e seus construtores foram J. Brandão, Magalhães & Cia, tendo sido lançada a pedra fundamental do edifício em 20 de maio de 1925. Com empréstimos obtidos da Liga Pernambucana contra a Tuberculose e do Coronel Mendo Sampaio, o prédio foi inaugurado em 21 de abril de 1927. Seus laboratórios foram montados com materiais vindos da capital federal e importados da Europa. Em dezembro de 1925, diplomaram-se os seis primeiros médicos pela instituição. O número de diplomados só aumentaria a partir de 1930, quando formaram-se 17 alunos. Diretores: José Octávio de Freitas (1915-1920); Manoel Gouveia de Barros (1920-1921); José Octávio de Freitas (1921-1935). Em 1915, quando a Congregação da Escola de Farmácia aprovou a proposta de criação da Faculdade de Medicina do Recife, ficou estabelecido que seu diretor provisório seria responsável pelas duas instituições – a de medicina e a de farmácia.

Hoje em Dia

Atualmente o prédio funciona como hotel, situado na rua Barão de São Borja 163 - Boa Vista, sobre os cuidados do senhor Nelson Correia. Funcionando de domingo à domingo.
Fone: 81 99548-5547

AGRADECIMENTOS

Gostaria de deixar os meus agradecimentos a algumas pessoas que tenho um imenso carinho e que me ajudaram a obter o conhecimento específico sobre a história do Rex Hotel, estas são; Neci Lopes, Nelson Correia, João Carlos, Rui Carneiro, Nelson Jr, Marcela Correia.